Cristo: A bússola perdida (Parte II)
E agora, devo assinalar —como no começo— que não é a minha realidade cotidiana, porque as realidades da Igreja oriental são outra história, são outras dores e outras urgências. Ali não existem facções com cartazes doutrinais nem guerras de microfones para ver quem grita o dogma com mais força. O combate é outro, e mais silencioso. É o de não deixar evaporar aquilo que não se improvisa: a verdadeira Tradição. Creio que a urgência mais importante agora é preparar-nos conscienciosamente, conscientemente, dolorosamente e sacrificialmente para não deixar perder essa tradição pura e diáfana que vem através de dois milênios para nos resgatar a todos. Porque o que nos foi entregue não é um museu, nem uma coleção de gestos bonitos para dias solenes, nem um teatro de ornamentos brilhantes. É herança viva, memória respirada, teologia encarnada. A tradição oriental não precisa inventar inimigos para sentir-se fiel. Seu perigo é mais discreto: a erosão lenta, a distração cotidiana, a com...