O Amor em Jesus

 


Iniciar um novo ano exige, às vezes, mais do que novos propósitos: exige uma nova forma de compreender o amor.


“Ame o próximo como a si mesmo.” - Sem dúvida, Jesus dá a medida do amor saudável ao dizer essas palavras. É por aqui que devemos começar, porque nelas está contida uma chave que muitos esquecem — ou nunca ousam levar a sério: o “como a si mesmo” não é um adorno gramatical, é uma condição espiritual.

Não se pode amar bem o outro se fomos ensinados a desprezar-nos, a ceder sempre, a anular-nos para evitar conflitos, a calar-nos para manter laços que só se sustentam se nos apagarmos.

Jesus não diz:
“ame mais o outro do que a si mesmo”,
nem “perca-se para que o outro se encontre”,
nem “permita que passem por cima de você porque isso é amor”.

Não.
O mandamento é claro, equilibrado, profundamente lúcido: o amor ao outro deve brotar de um amor por si mesmo que não seja egoísta, mas real. Porque ninguém dá o que não tem.

E quem não se ama, não estabelece limites.
E quem não estabelece limites, não ama: dissolve-se, entrega-se como uma coisa e chama a isso caridade, quando, na verdade, é medo.

Muitos cristãos foram educados em um conceito de amor que beira o autoabandono. A abnegação tornou-se sinônimo de anulação. O serviço foi confundido com perda de dignidade. E a caridade, com a impossibilidade de dizer não.

Mas Jesus não viveu assim.

Jesus serviu, sim.
Entregou-se, sim.
Mas não se deixou possuir por ninguém.

Não permitiu que o manipulassem com afetos falsos.
Não cedeu às pressões de sua mãe quando era necessário marcar o início de sua missão.
Não falou com doçura a Pedro quando Pedro queria impedi-lo de cumprir a vontade do Pai.

Jesus amou profundamente, mas nunca se traiu a si mesmo.
Esse é o modelo.

Amar como a si mesmo implica reconhecer que eu também sou próximo. Que eu também sou digno de cuidado, de paz, de proteção. Que não é santo viver oprimido para que os outros se sintam confortáveis. Que não é justo manter vínculos que só sobrevivem se alguém renunciar a si mesmo.

Jesus veio para dar vida, não para tirar vida.

E há muitas pessoas boas, crentes, generosas, que hoje estão apagadas, doentes, ausentes de si mesmas, simplesmente porque ninguém nunca lhes disse que o limite também é uma forma de amor.

Comentários

  1. Acredito que uma das coisas que é necessário compreender para ser um verdadeiro cristão, é o amor que Cristo nos pede.
    Para viver realmente esse amor penso que a chave seja a humildade.
    Quando digo humildade, não é aquela humildade vazia que acaba sendo muito mais uma forma de autodepreciação em busca de aplausos. Penso que a humildade exige a ciência plena do que somos, pois senão podemos cair no erro de acreditar que somos mais do que a nossa realidade e acabar se prendendo ao orgulho.
    Com a humildade podemos entender que tudo o que temos é Deus que nos dá, e que o melhor uso de nossos dons é para o bem da criação Dele, onde nós também estamos inclusos.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Se algo tocou seu coração, partilhe. A palavra é encontro

Postagens mais visitadas deste blog

O silêncio

Bem-vind@

Ouro: Incenso e Mirra