Incenso: Mirra e Ouro
…ainda sem compreender, buscaram incansavelmente.
E é justamente a Verdade, entre todas as coisas que Jesus propõe, a mais revolucionária, a mais temível, a mais assustadora.
Não se trata de um conceito relativo nem de uma construção humana adaptável ao tempo e às circunstâncias. Trata-se de uma Verdade que transcende os indivíduos, as culturas e as ideologias.
Nós, homens, construímos nossa existência à margem da verdade. Cada um cria a sua própria verdade e ajusta o mundo a ela. Edificamos sistemas nos quais a verdade é flexível, manipulável, um instrumento a serviço dos interesses do momento. Mas Jesus nos fala de uma Verdade que não se dobra, que não se acomoda, que permanece firme e absoluta porque provém de Deus como natureza magna.
A Verdade de Jesus não é uma opinião, nem uma teoria moral, nem um ideal filosófico. É uma realidade que atravessa a história e nos obriga a encará-la de frente. E é justamente essa Verdade que nos confronta, que nos incomoda, que nos exige mudar.
Jesus nos incita a encará-la de frente, a sair do autoengano, a desmontar as mentiras com as quais justificamos nossos medos e nossas corrupções. E quando a Verdade se confronta com a falsidade do mundo, gera divisão, rejeição, perseguição. Não porque a Verdade seja violenta, mas porque fomos nós que edificamos um mundo incapaz de se sustentar sobre ela sem desmoronar.
Nessa Verdade está a única possibilidade de justiça real. Não a justiça dos tribunais humanos, não a justiça parcial que se inclina conforme o poder do momento, mas uma justiça que ilumina, que equilibra, que coloca cada coisa em seu lugar sem distorções nem favoritismos.
Jesus não oferece verdades sob medida. Ele nos dá a Verdade que liberta, mas que exige que abandonemos as sombras nas quais nos sentimos confortáveis. E é essa exigência que faz de sua mensagem a maior revolução que o mundo já conheceu.
A verdade deste mundo começa na confusão e termina na cruz. É assim para todos, sem exceção, porque a cruz, antes de ser um símbolo de fé, é a estrutura última da existência humana. Todos estamos destinados a carregar uma cruz, de uma forma ou de outra, e cabe a nós escolher, nesses poucos anos sobre esta terra, o que a nossa cruz significará.
Nada mais nos é dado decidir. Podemos projetar, construir, sonhar, resistir, mas, no final, a cruz estará ali — como ponto de chegada, como coroação de uma vida ou como epitáfio de uma derrota. A única escolha verdadeiramente real é como enfrentamos essa cruz: se a assumimos como entrega ou se a resistimos até o último instante.
Jesus escolheu a sua cruz. Não a buscou, mas também não a evitou. Não a transformou em causa política, não a utilizou como instrumento de vingança, não a disfarçou com discursos de resignação. Abraçou-a com plena consciência de que nela estava o sentido da sua vida.
E essa é a grande diferença entre quem vive na verdade e quem vive na mentira. Quem vive na mentira foge da própria cruz, rejeita-a, amaldiçoa-a, nega-a. Mas a cruz o alcança do mesmo modo, mais cedo ou mais tarde, sem sentido, sem propósito, sem redenção.
Já aquele que escolhe assumir a sua cruz na verdade não permite que ela seja o seu fim, mas o seu caminho de passagem. Não é a cruz que o define, mas a forma como ele a enfrenta. E é nessa escolha que tudo se decide: a vida, a eternidade, a história.
Jesus não nos prometeu evitar a cruz; prometeu-nos que, ao abraçá-la, a morte não teria a última palavra. Ele é a prova disso. E na nossa cruz, na forma como decidimos vivê-la, reside a única liberdade que realmente possuímos.

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