Ouro: Incenso e Mirra
Os magos também não entendiam, mas seguiram adiante…
Ali está o homem irredimível: homens que tentam adaptar a este mundo as coisas que não são deste mundo; homens que maquiam estruturas velhas, apodrecidas e irrecuperáveis por medo da mudança, por medo da transformação. Continuam procurando o novo dentro de sistemas caducos.
Por isso Jesus é incômodo. Porque, por trás de cada ação humana feita em Seu nome, está a revelação da Sua voz e da Sua vida humana. Não há como reajustar este Deus.
Jesus não pode ser reduzido a um modelo institucional. Não pode ser encerrado em doutrinas desenhadas para manter a ordem sem vida. Ele não é domesticável, não é politicamente conveniente, não é um recurso manipulável a serviço de estruturas de poder. Sua presença é radicalmente disruptiva. Sua simples existência rompe a forma como o mundo se organiza, porque introduz outra lógica, outra maneira de compreender a vida, o poder, a autoridade, a própria existência.
A história humana busca sempre se estabilizar em ciclos repetitivos. Jesus rompe esses ciclos. Ele desafia esquemas, expõe o vazio dos sistemas que os homens tentam perpetuar. Não pode ser “atualizado”, nem tornado mais acessível por meio de ajustes às necessidades do momento, porque Sua mensagem é essencialmente contracultural em qualquer época.
É mais fácil construir grandes estruturas em Seu nome do que viver como Ele viveu. É mais confortável invocar Sua autoridade em discursos religiosos do que tomar a cruz e segui-Lo. É mais simples repetir dogmas do que arriscar-se a encarnar o Evangelho sem filtros nem garantias.
A incomodidade que Jesus provoca não é nova. Sua presença interrompe a ordem estabelecida, não porque busque a destruição, mas porque revela a falsidade sobre a qual o mundo se sustenta. E, em cada época, a humanidade reagiu da mesma forma: tentando enquadrá-Lo, manipulá-Lo ou, em última instância, eliminá-Lo.
Não se pode reajustar Jesus, porque Ele mesmo é a medida de todas as coisas. Não pode ser reduzido a uma ideologia, porque Ele é a própria Verdade. E, na Sua Verdade, nos confronta com aquilo que somos e com aquilo que nos recusamos a ser.
Mas há homens e mulheres que ousam. Sempre houve. Eles são o pilar que sustenta o Jesus historicamente vivo em um mundo crônica e majoritariamente irredimível. Não se trata de multidões nem de estruturas visíveis, mas daqueles que compreenderam a radicalidade de Sua mensagem e decidiram vivê-la sem concessões.
Nunca se tratou apenas de fé. Trata-se de coragem, de audácia, de inteligência viva que já é sabedoria. A fé sem obras é uma fé morta; mas a fé acompanhada de valentia e discernimento é a que manteve viva a chama do Evangelho nos tempos de escuridão. Porque seguir Jesus não é um ato de conformismo, mas de resistência.
Esses homens e mulheres recusam concessões à verdade. Não tentam encaixar Jesus em esquemas mais cômodos ou aceitáveis; permitem que Jesus os transforme — com tudo o que isso implica. Escolhem a fidelidade acima do reconhecimento, o amor acima do poder, a cruz acima do conforto.
Se não fosse por eles, o Santo Sepulcro já teria sido novamente fechado. Sem eles, a história do cristianismo teria se reduzido a uma lembrança soterrada sob camadas de instituições e dogmas vazios.
A existência desses homens e mulheres é a prova de que Jesus continua vivo na história — não porque seja mencionado em discursos ou invocado em cerimônias, mas porque continua inspirando aqueles que têm coragem de viver Seu Evangelho sem adulterações.

Comentários
Postar um comentário
Se algo tocou seu coração, partilhe. A palavra é encontro