O Mundo
O mundo. Ah… essas duas palavras tão gastas!
Comecemos por elas.
Mas afinal, a que nos referimos quando dizemos “O Mundo”?
Então, quando falamos “o mundo”, estamos falando de nós… ou do planeta que habitamos?
Muitos dirão que a fome, o desemprego, a corrupção, a amoralidade, a violência, a pandemia de desorientação sexual que assola a humanidade, e a falta massiva de empatia são sinais claríssimos de um apocalipse iminente.
O que realmente está acontecendo — e o que torna esta época e este mundo diferentes de qualquer outro — é que esta é a época em que nos toca viver.
Mas há, sim, características muito próprias deste nosso tempo.
Porque, al final, falar do mundo nunca foi realmente falar do planeta, mas dessa criatura inquieta que somos nós —capazes de erguer catedrais e, minutos depois, incendiar o próprio quintal.
E talvez seja exatamente aqui que reside o maior enigma da nossa época: não estamos nem melhores nem piores que antes; estamos, isso sim, mais expostos.
Expostos à velocidade, expostos ao excesso de informação, expostos à falta de silêncio, expostos às nossas próprias feridas que agora se transmitem em tempo real.
E o que antes se escondia atrás de muralhas, desertos ou distâncias, hoje vive à distância de um toque. Nada mais se perde; tudo se arquiva. Nada mais se esquece; tudo se registra.
O mundo parece pior não porque o seja, mas porque agora o vemos —e o vemos inteiro, nu, sem maquiagem, sem intervalos.
E ver dói.
E a verdade, quando não vem em conta-gotas, costuma assustar.
Mas apesar disso —ou talvez por isso mesmo— continuamos aqui.
E continuamos perguntando, procurando, investigando sentido no meio do ruído global.
Porque, mesmo atolada em contradições, a humanidade ainda tem essa centelha teimosa que insiste em buscar luz, mesmo que tateando.
Então, quando dizemos o mundo, talvez devêssemos admitir que estamos falando de nós mesmos: essa espécie estranha capaz de ruir e renascer no mesmo dia, que carrega dentro de si tanto o incêndio como a água.
E se há algo realmente novo nesta era, não é o caos —que sempre esteve aí—, mas a oportunidade inédita de perceber-nos.
De olhar o espelho coletivo e perguntar, finalmente:
e nós, o que faremos com este mundo que somos?

Comentários
Postar um comentário
Se algo tocou seu coração, partilhe. A palavra é encontro